A alienação

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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Por que muitos não gostam de Margaret Thatcher ?

Margaret Thatcher - estadista do Reino Unido

Na próxima quinta-feira será realizado o funeral de Margaret Thatcher e entre os muitos artigos, notícias, comentários, etc, muitos deles distorcidos, o artigo abaixo, apesar de não conter distorção, faz algumas conclusões equivocadas.
Vamos colocar o texto do artigo e depois comentar os trechos em negrito.


14/04/2013 - 03h03
Thatcher e Erhard
henrique meirelles

A morte de Margaret Thatcher reaviva uma era de transformação no Reino Unido. Famosa pela coragem política e pelas convicções, liderou seu país numa grande reversão de sociedade regulada para economia de mercado.
Seu governo ficou marcado, contudo, por conflitos e protestos decorrentes da perda de benefícios e empregos em indústrias ineficientes.
Menos conhecido, mas talvez mais influente, foi o arquiteto da recuperação europeia do pós-Guerra, o economista alemão Ludwig Erhard. Antinazista convicto, famoso pela inteligência, foi nomeado em 1947 chefe do programa de recuperação econômica alemã.
A economia do país estava estagnada.
Não havia produtos, empregos nem esperança de futuro melhor após uma guerra desastrosa.
A administração econômica baseava-se num planejamento detalhado da economia pelo governo, com salários, preços e investimentos controlados e sucessivos planos econômicos fracassados.
A intenção dos administradores era a melhor possível. A Alemanha tinha que ser ressuscitada para que houvesse paz na Europa, mas a resposta continuava a ser mais planos e intervenção governamental.
A primeira medida de Erhard causou tremendo choque: abandonar todas as intervenções e tornar a economia completamente livre. O general americano Lucius Clay, chefe das tropas aliadas de ocupação, entrou na sala de Erhard dizendo que todos os seus bons consultores econômicos pensavam que ele estava maluco. Sua resposta o surpreendeu: "General, os meus conselheiros dizem a mesma coisa".
Erhard era um defensor solitário do livre funcionamento do mercado e da ligação da liberdade econômica com a liberdade pessoal e política. Achava que os empresários alemães, grandes e pequenos, eram os que melhor sabiam o que produzir e vender, e que o preço deveria ser definido pela oferta e procura. O general deixou a reunião rezando, mas, em pouco tempo, os produtos voltaram às prateleiras e a enorme máquina econômica alemã começou a renascer. Em 1949, ocorreram as primeiras eleições no pós-Guerra, e Erhard foi nomeado ministro da Fazenda no governo do chanceler Konrad Adenauer.
Juntos, criaram a economia social de mercado ("Soziale Marktwirtschaft"), o impressionante Estado de Bem-Estar Social, que os eleitores alemães apoiaram desde então. 

Mas só conseguiram criá-lo porque foram financiados por uma forte economia de mercado, que trouxe à tona o melhor do país.
Enquanto Thatcher será lembrada pelo choque de liberalismo com cortes de benefícios, Erhard passou à história pela criação de uma máquina econômica capitalista que sustenta um sistema forte e equilibrado de programas sociais.



Comentário:

"Seu governo ficou marcado, contudo, por conflitos e protestos decorrentes da perda de benefícios e empregos em indústrias ineficientes."

Thatcher não tinha poder para intervir em industrias.
Não eram as industrias que eram ineficientes, era o governo britânico que era ineficiente, arquejado por ter que carregar uma multidão de funcionários que pouco trabalhavam e só eram mantidos pelo corporativismo estatal.
A ação crucial do governo Thatcher foram as privatizações.
Ela acabou com as ineficientes "empresas estatais" muito a gosto dos socialistas, tais empresas não eram "industria".
Ela colocou muita gente que só recebia salário e nada produzia na rua, por isso muitos a odeiam, não gostam dela e fazem protestos contra ela, ela acabou com a mamata deles.

Thatcher não acabou com benefícios, ela não quis mais pagar benefícios para quem nada dava em troca, é diferente.
Trabalhadores do setor privado inglês, nem tão pouco funcionários públicos, não deixaram de ter os benefícios estipulados por lei.
Quem não recebeu mais benefícios, nem salários, foram os que trabalhavam em estatais deficitárias, que foram privatizadas e os novos donos privados enxugaram a empresa para diminuir custos e tornar a empresa competitiva.

Com o governo inglês livre da enorme despesas para sustentar a multidão de empregados improdutivos Thatcher pode executar a outra ação crucial de seu governo, a diminuição de impostos.
Essa ação diminuiu os custos para as empresas privadas inglesas e elas passaram a ser competitivas no mercado internacional, o que deu enorme impulso a economia inglesa, depois de 2 anos da diminuição dos impostos a Inglaterra já tinha aumentado consideravelmente seu PIB e os empregos voltaram a existir, a Inglaterra estava novamente nos trilhos econômicos e políticos.  [Ver Nota no final]

"foi nomeado em 1947 chefe do programa de recuperação econômica alemã.
A economia do país estava estagnada."


Não é que a economia da Alemanha estava estagnada, a Alemanha estava arrasada, a guerra tinha terminado a menos de dois anos, todo o parque industrial alemão havia sido destruído, a Alemanha tinha sido dividida e ocupada, a verdade é que na Alemanha não existia economia, a partir dali é que iria passar a existir uma perspectiva econômica na Alemanha.


'o impressionante Estado de Bem-Estar Social, que os eleitores alemães apoiaram desde então."
'Enquanto Thatcher será lembrada pelo choque de liberalismo com cortes de benefícios, Erhard passou à história pela criação de uma máquina econômica capitalista que sustenta um sistema forte e equilibrado de programas sociais."


Estas duas frases do autor são antagônicas.
O autor deveria ter definido o que quis dizer com o termo "capitalismo".
O termo "capitalismo" foi criado por Karl Marx e seus seguidores socialistas e não corresponde em hipótese alguma ao sistema político-econômico que existia na Europa Ocidental de pós-guerra.
"estado do bem-estar social" e "capitalismo" com o sentido pejorativo que Karl Marx deu a ele não podem coexistir juntos.
O que o governo que Erhard participava (inicialmente ele não era primeiro-ministro, era apenas ministro) implantou na Alemanha foi o Liberalismo, e não capitalismo, não implantou um sistema forte, sistema forte foi implantado na Alemanha Oriental socialista, o que o governo alemão do pós-guerra implantou na Alemanha Ocidental foi o Estado de Direito Democrático, e os programas sociais só foram ser possíveis de existir depois que a Alemanha Ocidental (a Alemanha Oriental era socialista e permaneceu parada no tempo e ditatorial) voltou a ser uma economia pujante e ai pode dar a seu povo competente os tais "programas sociais".

Por fim, a comparação que o autor faz entre Thatcher e Erhard é impraticável e equivocada, os contextos em que ambos atuaram são muito diferentes, Erhard começou a atuar em um estado alemão inexistente, onde não havia estrutura alguma, tudo estava para ser feito, Thatcher encontrou um estado inglês inchado e ineficiente, Thatcher em vez de construir teve que acabar com essa estrutura do estado.

O resultado final, tirando-se as diferenças de épocas e cargos, foram os mesmos, a Inglaterra com Thatcher se tornou uma nação potente economicamente e onde o Estado de Direito e os programas sociais continuaram a existir de forma eficiente, da mesma forma que na Alemanha tudo isso também passou a existir.
Thatcher e Erhard, guardadas as devidas proporções de poder e responsabilidades entre ambos, implantaram em seus países o Liberalismo econômico, nada a ver com "capitalismo", Thatcher reforçou o Estado de Direito Democrático e o governo alemão no qual Erhard participava implantou o Estado de Direito Democrático na Alemanha.  Foi isso que aconteceu.

Quanto a memória de Margaret Tgatcher, tenho certeza que os ingleses que tem orgulho de o serem, tem e sempre terão orgulho dela, e os vagabundos da Inglaterra e de todo o mundo, estes continuarão a odiar e protestar contra ela e contra todos que como ela meterem o pé na bunda deles e os fizerem trabalhar para se sustentarem em vez de serem sustentados pelo estado


Nota: 

Os "intelectuais" marxistas brasileiros associaram o governo FHC com o que foi feito por Thatcher na Inglaterra e Regan no EUA e deram o apelido ao governo de FHC de "neoliberalismo".
Isso foi apenas safadeza, coisa típica dessa ralé.
Devo ressaltar que não estou defendendo o governo FHC, o que vou fazer é mostrar mais uma mentira dessa ralé "intelectual".

As privatizações que FHC fez já estavam previstas para serem feitas desde quando as estatais foram fundadas...
Só não foram feitas antes porque Ulisses Guimarães não deixava, depois da morte dele ai foram feitas a toque de caixa.
As privatizações no Brasil não tiveram nada em comum com as que Thatcher fez na Inglaterra, aqui apenas foram a transferência de empresas estatais para grupos nacionais e estrangeiros, o dinheiro das privatizações sumiu, grande parte foi financiado pelo BNDS e não entrou no caixa do governo.

Mas, o mais importante é que FHC jamais diminuiu impostos como Thatcher fez na Inglaterra, o Brasil continuou a ser um dos países com maior carga tributária do mundo, por isso aqui jamais aconteceu o desenvolvimento econômico e o fortalecimento da competitividade das industrias privadas brasileiras, que continuam com altos custos de produção e sem competitividade no mercado internacional.

Portanto, o governo FHC nada teve de "neoliberal", foi apenas mais do mesmo, das mesmas tramóias para deixar a elite brasileira mais rica.
A partir dele e mais ainda no governo Lula os bancos brasileiros passaram a ser potências econômicas e a terem lucros astronômicos com os altíssimos juros e taxas que cobram dos correntistas e mais ainda com os juros que recebem da enorme dívida pública do governo federal gerada a partir dai.


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