A alienação

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quinta-feira, 4 de abril de 2013

A Lógica Formal e sua aplicação prática


A Lógica é a ciência que formula processos intelectuais com a intenção de chegar o mais próximo do conhecimento..
Tenta expressar as estruturas e operações do pensamento, deduzindo-os a um número reduzido de axiomas, com a intenção de criar uma linguagem adequada ao pensamento científico.

Lógica formal

É a parte da Lógica que estabelece a forma correta das operações intelectuais de maneira que os princípios e as regras que formula se aplicam a todas as formas de pensamento.

Princípios da lógica formal

Princípio da identidade

A=A e não pode ser B, o que é, é.
Não podemos pensar nada sem sua identidade.
Uma árvore é uma árvore e não pode ser um cachorro.
Todo que existe na natureza só pode ser representado e percebido pelo pensamento com sua identidade.

Princípio da não-contradição

A=A e nunca pode ser não-A, o que é, é e não pode ser sua  negação, ou seja, o ser é, o não ser não é.
Uma árvore é uma árvore e não pode ser não-árvore.
Ou é uma árvore ou não é.
É impossível que o quadrado tenha quatro partes e não tenha ao mesmo tempo.
Sem o princípio de não-contradição não há o princípio de identidade.

Princípio do terceiro excluído

Ou P é x ou P é y, não existe uma terceira possibilidade.
“Ou este remédio cura a doença ou não cura a doença”; “Ou ele é bom, ou ele é mau”; “Ou este relógio funciona ou não funciona”.
Uma idéia, um objeto, um sentimento pode ser isto ou aquilo, não uma terceira possibilidade, somente há duas escolhas.

Proposição

Para que possa existir ANÁLISE LÓGICA a sentença ou questão a ser analisada precisa ser uma proposição.

Proposição é uma expressão verbal ou simbólica suscetível de ser dita verdadeira ou falsa.

Proposição universal

Proposição em que o sujeito é um termo universal, tomado universalmente.
Baseado na observação empírica podemos compor a seguinte proposição:

'Todo ser humano é mortal.'


Características fundamentais exigidas na formulação de proposições para análise lógica.

A Lógica sempre estará condicionada e subordinada a resultados empíricos.
Mecanismos mentais não superam a validade da matemática, da observação e da medição.
Não podemos usar suposições (mecanismos mentais) para aplicar a lógica.


Por exemplo, "Deus" é uma suposição, pois não conseguimos observar empiricamente a Deus, então não podemos usa-lo em uma proposição.
Outro exemplo que não pertence a ciência e a lógica é a dialética de Hegel (marxista) que usa apenas processos mentais (tese, antítese, síntese, ou outros nomes que são dados ao mesmo processo), que são deduções mentais que não podem ser comprovados empiricamente e que em última análise são apenas a opinião de quem a formula.
Por exemplo a dialética diz: "Se Napoleão não tivesse existido outro ser humano teria feito tudo o que ele fez." , porém, essa afirmação não pode ser verificada empiricamente, não se pode comprovar cientificamente essa suposição, por isso a dialética não é lógica e nem é ciência.

Para que seja possível uma análise lógica é necessário que sejam satisfeitos os 3 princípios da lógica:

Princípio da identidade;
Princípio da não-contradição;
Princípio do terceiro excluído.

Se estes 3 princípios não existirem na sentença ou na questão - não podemos aplicar a lógica.


Lógica material

É a parte da Lógica que determina as leis particulares e as regras especiais que decorrem da natureza dos objetos a conhecer.


Uso prático da Lógica em debates

Um amigo me mostrou uma questão que está aparecendo em grupos de discussão na Internet onde estão tentando usar a Lógica para provar a existência de Deus.

A "sentença lógica" que estão usando é a seguinte:

"Deus é Onipotente; dentro dos limites da Lógica".

Porém, temos ai uma falácia e não uma proposição real que possa ser usada pela lógica.
A frase "Deus é onipotente." estaria no âmbito da lógica formal, lógica das proposições, porém, essa frase não é uma proposição, uma vez que "deus" não é observável empiricamente, portanto não se submete a análise lógica.
A frase está errada - essa frase está fora dos limites da lógica.

Para que possamos aplicar a lógica das proposições precisamos de um proposição empiricamente real, por exemplo:

"Carlos é matemático."

No caso "Carlos" é uma pessoa que pode ser observada e identificada empiricamente.
Se Carlos é matemático, essa proposição é verdadeira (V), se Carlos não é matemático temos uma afirmação Falsa (F).

Agora vamos dar um exemplo de uma frase que não é proposição:

"Ele é matemático."

"ele" .... mas, quem é ele ?
Não sabemos.
Então não podemos saber se a frase é verdadeira ou falsa.
Essa frase não é uma proposição, e não se aplica a lógica.

Da mesma forma a frase:

"Deus é onipotente."

"deus"... mas, quem é deus?
Não sabemos.
Existem uma infinidade de deuses.
Por exemplo Netuno, era um deus, mas, não era onipotente, porque existia um outro deus mais poderoso que ele, Zeus.

Então, essa frase não é uma proposição e não se pode aplicar nela a lógica das proposições uma vez que "deus" não é empiricamente observável.
E nem tão pouco seria verdadeira em qualquer hipótese, pois existem deuses que não são onipotentes, como no caso de Netuno e Zeus..


A Mecânica Quântica e a Lógica

Na mecânica quântica pode parecer que a Lógica neste caso é imprecisa, porém, uma análise detalhada nos mostra que também se trata de um problema na formulação das proposições.

É o caso do "gato de Schrödinger".
É uma suposição, não se aplica a lógica, não que a lógica seja refutada por ele, é a questão que não se atém aos princípios lógicos, pois são feitas suposições.
É feita uma montagem dentro da caixa, na montagem foram colocadas várias coisas dentro da caixa onde o gato vai ficar... já que podem fazer isso, podemos também acrescentar mais uma coisa, um detetor de cianureto, com bateria própria, com a saída ligada a um vibrador colado ao chão da caixa... se o vidro de cianureto for quebrado a caixa vai vibrar, e sem olhar dentro da caixa podemos afirmar que o gato está morto.

Também temos a mesma situação no caso da dualidade do eletron.

A fórmula de Einstein nos diz: E = M * k (k = c^2).
Isolando a constante temos: E = M.
Temos então que o que existe no Universo, pode ser tanto matéria como energia.
Essa é uma lei física.

Então podemos montar as seguintes proposições.
O eletron quando na forma de energia se comporta como onda = V
O eletron quando na forma de matéria se comporta como partícula = V


A Lógica e os dogmas religiosos

Podemos usar a lógica para demonstrar a imprecisão de dogmas das religiões.
Por exemplo a seguinte proposição:

"Os seres humanos são mortais."

É uma proposição verdadeira, é isso que observamos empiricamente.

Outra proposição:

"Os seres humanos mortos não ressuscitam."

É uma preposição verdadeira, é isso que a observação empírica nos garante.
Então, Cristo, que era um ser humano, não pode ter ressuscitado, é uma suposição falsa.

Outra proposição:

"Seres humanos não conseguem transformar água em vinho."

Verdadeira, é isso que observamos empiricamente.
Então, a suposição de que Cristo fez isso é falsa.

"Não existem espíritos."

Essa é uma afirmação verdadeira, não é possível se observar empiricamente a existência de espíritos.

"Não existe reencarnação."

Essa é uma afirmação verdadeira, uma vez que não existem espíritos.
Alem disso, todos os humanos nascem sem lembrar de absolutamente nada, tudo tem que ser aprendido, onde ficariam guardadas as memórias das vidas anteriores, em um banco de dados celestial ?

"A alma é imortal."

Essa é uma afirmação Falsa, pois não podemos observar empiricamente a uma alma, então, menos ainda podemos supor que ele seja imortal, isso seria uma ilusão.


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