A alienação

A alienação

sábado, 22 de outubro de 2011

Desdobramentos do marxismo cultural no EUA

Mais um exemplo da avassaladora ação do marxismo cultural no EUA.

Notícia no ESTADÃO ON LINE

Espécie de pop star em Harvard, Michael J. Sandel fala de 'Justiça'
Americano fala do livro e sintetiza o curso (sempre lotado) que ele ministra na instituição

22 de outubro de 2011 | 7h 00
LÚCIA GUIMARÃES - NOVA YORK

Os Estados Unidos devem pagar uma reparação pelos anos de escravidão?
O serviço militar obrigatório deve ser restabelecido?
A ação afirmativa penaliza os brancos pobres?
Essas questões, que não são matéria-prima de vídeos virais ou de redução a 140 caracteres, atraem multidões - seja na Harvard University, seja por meio de palestras que a BBC britânica oferece em podcasts.
Se a filosofia tem um pop star - e "pop" aqui está longe de ser derrogatório -, o nome dele é Michael J. Sandel.
Para quem duvida do alcance deste professor de filosofia política de Harvard, sugiro simplesmente googlar a palavra "justiça" em inglês.
Na primeira página de resultados, chegamos à home page de Sandel, que há 30 anos ministra o curso com tal nome, um dos mais procurados da história de Harvard.

Justiça - O Que É Fazer a Coisa Certa é o título de seu livro que está saindo no Brasil, um trabalho que reflete sua experiência como um dos mais populares professores do mundo - entretanto, como ele alerta, não é uma história de ideias e sim uma viagem pela reflexão moral.

....

Entrevista.

O movimento Occupy Wall Street, que muito rapidamente se espalhou pelos Estados Unidos, reflete indignação com o sistema financeiro. O senhor afirmou no livro que os americanos perdoam o fracasso menos do que perdoam a ganância. O novo movimento poderia sinalizar uma tolerância menor com a ganância?
Os protestos contra Wall Street demonstram uma indignação contínua com a crise financeira e o salvamento dos bancos e de Wall Street. Quando tratei do assunto em Justiça, descrevi como o processo foi injusto. Os responsáveis pela crise financeira lucraram enormemente quando os ventos estavam a favor. Mas, assim que a crise começou, os contribuintes tiveram que pagar a conta. Agora, nós vemos esta onda de protestos que se espalha em todo o país. Acho que é uma ocorrência bem-vinda. Mostra que o ativismo cívico está vivo. Ele vai exercer pressão sobre os líderes políticos, incluindo o presidente Obama, para fazer mais do que fizeram até agora - exigir que os bancos e as instituições financeiras assumam maior grau de responsabilidade pelo que fizeram.

O senhor destaca a associação do movimento conservador com a "política da virtude". E também trata do contraste entre Barack Obama e John Kennedy. Obama acha que sua fé deve ser levada em conta, Kennedy, o primeiro presidente católico americano, evitava falar de religião. Como o senhor vê hoje estas questões afetando o clima moral no país?
No último capítulo do livro, eu argumento que os liberais e os progressistas não devem renunciar à linguagem moral ou esperar que os cidadãos escondam sua fé quando entram no território público. Como candidato, Obama compreendeu que os argumentos morais e espirituais não deviam ser deixados apenas para conservadores. O fato de que ele era aberto à fé permitiu que fizesse uma conexão com um eleitorado de uma forma que políticos tecnocratas não conseguiriam fazer. Mas ele ainda não conseguiu trazer o idealismo moral e cívico da campanha para sua presidência. Talvez por ter enfrentado logo a crise financeira, ele não deu voz a ideais morais, cívicos e espirituais que os americanos esperam ouvir de um presidente. Acho que este é um dos grandes desafios de sua presidência. Nós precisamos de um discurso público que esteja mais engajado com as questões de justiça, igualdade, desigualdade e o significado de cidadania. Como argumento no livro, nós precisamos de uma nova política do bem comum. Ainda não sabemos se o presidente Obama vai conseguir redirecionar o discurso nacional para essas questões.

O senhor acredita que o debate atual sobre o aumento da desigualdade nos Estados Unidos vai reforçar o que chama de a conexão entre a distribuição de justiça e o bem comum?
Nos últimos anos, não houve um debate sério neste país sobre a crescente desigualdade econômica. Espero que haja uma mudança em curso. Nós precisamos de um debate moral robusto sobre igualdade e desigualdade. Por exemplo, é justo 1% da população controlar 90% da riqueza?
Como o sistema fiscal americano deve responder ao aumento da desigualdade?
Este é, em parte, um debate sobre a distribuição de justiça. Em vários capítulos do livro, eu examino as filosofias em competição sobre o tema - incluindo o laissez-faire, as teorias libertárias, as teorias igualitárias e teorias que tratam do mérito. Então, sou muito a favor de um grande debate público sobre a distribuição da justiça. Mas há uma questão mais ampla. É sobre o que devemos uns aos outros, como cidadãos, e sobre o caráter da vida cívica que compartilhamos. Um grande fosso entre ricos e pobres acaba por minar o bem comum e corrói os laços que unem as sociedades. Se os ricos e os pobres americanos cada vez mais levam vidas separadas - moram em bairros separados e mandam seus filhos para escolas diferentes -, terão cada vez menos em comum e a possibilidade de uma cidadania compartilhada se esvai. Por isso, considero importante debater o impacto da desigualdade nos espaços comuns da cidadania democrática. Como argumento na conclusão do livro, a distribuição de justiça e o bem comum estão ligados.


O Brasil começou a discutir uma possível reparação pela escravidão, mas este movimento existe há mais tempo nos Estados Unidos. Como este debate pode servir de exemplo para o que o senhor defende - a reflexão moral coletiva?
O debate sobre a reparação pela escravidão levanta uma das questões mais difíceis e importantes da filosofia moral e política. No livro, eu uso a discussão sobre a reparação para examinar concepções conflitantes de responsabilidade moral: Seríamos responsáveis só pelos atos que cometemos como indivíduos? Ou temos uma responsabilidade especial de corrigir os erros feitos por nossos concidadãos, nossos avós, gerações passadas? Isto nos obriga a questionar se a responsabilidade pode ser coletiva e se atravessa gerações. Vários países têm lutado com a questão da reparação. Nos Estados Unidos, discutimos se deve haver um pedido de desculpas oficial e público pela escravidão. E se deve haver reparação e de que forma. Um debate semelhante se passou na Austrália, em relação aos aborígines. E não devemos esquecer o ônus moral de questões como lidar com atrocidades cometidas em tempos de guerra. Tudo isso nos leva a considerar como interpretamos nosso passado, mas também qual é o caráter individual e coletivo da responsabilidade moral. Devemos pensar em até que ponto a nossa identidade é formada pelas comunidades onde vivemos, as tradições que herdamos. Não são perguntas com respostas fáceis. Mas elas ilustram a importância de uma vida pública que se mantém aberta à reflexão moral.

Qual o impacto que o senhor vê em certos elementos da cultura da internet, como anonimato, exibicionismo e ênfase na velocidade? A internet não pode ser também uma aliada de causas cívicas?
A cultura da internet e da rede social são uma bênção e uma praga da vida pública. Por um lado, as redes sociais se tornaram ferramentas valiosas para movimentos sociais e organização política. A Primavera Árabe, naturalmente, é um bom exemplo disso. Ao mesmo tempo, várias características da cultura da internet vão contra a cultura democrática. O que faz falta, hoje, é o hábito de nos engajarmos em argumentos morais razoáveis sem apelar para o insulto e a falta de civilidade. Precisamos desenvolver uma cultura pública e cívica em que as pessoas possam expressar suas convicções mais profundas e, ao mesmo tempo, aprender a ouvir os outros que não pensam como nós. Na maioria dos casos, a internet não promove esta discussão civilizada. O anonimato é parte do problema. Mas culpo também a velocidade e a falta de trocas contínuas que sustentem reflexão. Então, as ferramentas da internet, como blogs e redes sociais, precisam ser complementadas com formas de engajamento comunitário não virtuais. Eu acredito que a internet possa ser um instrumento de educação cívica e discurso moral, mas só se criarmos instituições e modelos de comunidade que vão além, que criarem a responsabilidade exigida pela vida cívica.

***

Comentário sobre a definição de Sandel sobre o que ele considera "justiça".
"Não é só a maneira certa de distribuir coisas. É também a maneira certa de valorizar as coisas."

Esse tipo de declaração me impressiona pelo distanciamento da realidade!
Distribuir coisas?
Como assim?
Quem vai distribuir o que?
Por quem as coisas que serão distribuídas serão produzidas?

Para mim é tão fácil perceber que isso é uma tolice... todas as tentativas de "distribuir coisas de forma certa" fracassaram, e não só fracassaram, mataram milhões de inocentes em nome dessa causa maldita.

Para mim, lembrando os tempos em que humanos não eram politicamente corretos, é tão fácil perceber que se um humano quer comer ele vai ter que levantar cedo todos os dias e ir cuidar da roça, dos porcos, das galinhas, do pomar, da horta, trabalhar muito a terra e com competência, assim talvez, se a natureza não destruir, ele poderá comer.

Não vivemos no paraíso onde as coisas são providas por deus.
Não vivemos em uma era robótica onde robôs trabalham para produzir as coisas que humanos necessitam e o trabalho dos humanos é só distribuir tais coisas de forma igualitária!

É justamente esse o problema.
Vivemos no planeta Terra onde as coisas são difíceis de conseguir, onde a natureza é dura e provoca secas, inundações, geadas, tempestades, furacões, maremotos, terremotos, vulcões, pestes, doenças, e outras desgraças para atazanar a vida dos seres humanos...

Vivemos em uma terra escassa e onde se cada humano conseguir produzir o que consome ele já estará prestando enorme ajuda a sociedade por não ser um peso morto a ela!
Querer que um humano produza para "distribuir" é um absurdo insano pois exigiria esforço redobrado desse humano e o transformaria em escravo dos que recebem o fruto do seu trabalho.

Na minha opinião esse professor é só mais um oportunista falando o que milhões de alienados politicamente corretos querem ouvir mas que de justiça e verdade nada tem!

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