A alienação

A alienação

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Por que a "classe C" brasileira faliu ?

Manchetes de jornais brasileiros:

Inadimplência do consumidor cresce 19% no 1º semestre
11 de julho de 2012 | 9h 34
WLADIMIR D'ANDRADE - Agencia Estado

CLASSE C ACORDA PARA O PESADELO DAS CONTAS
APERTEM O CINTO: O DINHEIRO SUMIU

Autor(es): » ANA D"ANGELO
Correio Braziliense - 01/04/2012

Cheques sem fundos atingem maior nível desde 2009 no 1º semestre
Indicador de Cheques Sem Fundo da Serasa Experian subiu a 2,07% no primeiro semestre

12 de julho de 2012 | 9h 13
Agência Estado

Dívida com carro tira o sono da classe C
Despesas automotivas representam 27,6% das compras a prazo desse extrato social

AGÊNCIA ESTADO

Correio de Uberlândia
31/05/2012 15:01
Cresce a inadimplência da Classe C nas financeiras de automóveis

Classe C aumenta inadimplência por desconhecer ferramentas disponíveis em cartões de crédito, diz lojista
09/02/2012 - 13h57
Economia
Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil



Comentando o assunto.

Na vida em geral e em especial no âmbito da economia quando se foge da realidade e se passa a viver no mundo da ilusão - o resultado é sempre desastroso.

O socialismo dominante no governo brasileiro pós regime militar (chamado por eles de ditadura militar) em uma ilusão típica dessa ideologia criou a fantasia da "classe C" como se fosse algo que eles tinham feito, só que não foram eles que fizeram a "classe C", e mesmo que tivessem feito, a fantasia criada pelos socialistas governantes do Brasil do "poder da classe C", supostamente criada por eles, não existe, criaram uma ilusão, uma desastrosa ilusão, que levou milhões de brasileiros a situação de endividamento em que se encontram.

A "classe C" não surgiu devido a nenhuma ação do governo atual, a "classe C" surgiu devido a privatização das empresas estatais.

As empresas estatais, tais como a Telebras, Eletrobras, CESP, TELESP, etc, tinham milhares de funcionários, tinham técnicos e profissionais que ganhavam excelentes salários, em média um empregado de nível médio técnico de uma estatal como a Telemig em Minas Gerais, ganhava em torno de 4 mil reais, o que o colocava em um nível de "classe média" com grande poder aquisitivo.
Os empregados das estatais compunham a maioria da "classe média" brasileira.

Com a privatização todos os empregados das estatais foram postos na rua, e no lugar deles foram colocados outros empregados, a maioria jovens despreparados profissionalmente, para ganharem salário entre 700 a 1000 reais...
A estratégia não deu certo e a qualidade dos serviços caiu vertiginosamente, as principais causas foram a precária qualidade da mão de obra e a rotatividade devido ao baixo salário e grandes exigências.

Com a gritaria geral da população e as demandas judiciais indo aos milhares as empresas privatizadas tiveram que achar uma solução, a solução encontrada foi aumentar o número de empregados, com isso no atendimento ao público, por exemplo nas empresas de telecomunicações, onde antes existiam 10 mil empregados, atualmente existem 100 mil!
Porém o salário continua pequeno, não passa de 1000 reais, grandes "callcenter" foram instalados no nordeste, de onde atendem todo o Brasil, e onde a mão de obra é ainda mais barata.

Tais serviços de atendimento nunca são feitos por empregados das empresas de telecomunicações ou de eletricidade, são feitos por empresas terceirizadas.
Existem milhões de pessoas hoje no Brasil trabalhando nestas empresas terceirizadas que por sua vez foram contratadas pelas antigas empresas estatais privatizadas, alem disso, outras empresas também adotaram o mesmo sistema terceirizado.
Estes milhões de jovens com o "dinheirinho na mão" puderam comprar bens tais como roupas, calçados, celulares, etc, as lojas de "1,99" proliferaram no Brasil, vendendo justamente para estes trabalhadores com salário pequeno, que podiam comprar pouco, mas eram muitos!
O aumento de fregueses para compras de pequeno valor fez aumentar a atividade comercial no Brasil nas lojas de produtos pessoais, lojas de roupas, sapatos, produtos de beleza, etc, e tais lojas tiveram que aumentar seus vendedores, o que provocou a contratação de milhares de empregados no comercio, em especial mo mordeste e sudeste, que vieram se juntar aos empregados de empresas terceirizadas para engrossar a "classe C", pois os empregados do comercio também não conseguiam ganhar mais que 1000 reais de salário.

As pequenas lojas tiveram grande crescimento vendendo para a "classe C".


Vem dai o surgimento da "classe C"...
São milhões de pessoas, a maioria jovens, que ganham entre 700 a 1000 reais trabalhando em empresas terceirizadas e no comércio de pequeno porte.
Tais trabalhadores não surgiram de uma ação consciente de governo atual.



Membros da "classe C" brasileira.

Nota importante: Gostaria de deixar bem claro que não existe neste texto nenhuma crítica, muito menos caráter pejorativo, pelo contrário, tais jovens foram em busca de trabalho, a maioria deles estudam, e só merecem elogios quanto as suas posturas e ao seu trabalho, o trabalho deles está ajudando muito o desenvolvimento do Brasil.
A finalidade única deste texto é mostrar que a chamada "classe C" - não surgiu da ação direta e intencional do governo, porém, o seu endividamento atual, este sim, surgiu da ação direta do governo atual.


A única "ação de governo" nisso foi a privatização, o resto aconteceu devido a fatores econômicos irreversíveis, aos quais o governo não teve interferência alguma.

Este gráfico é muito esclarecedor.
O gráfico mostra que no final de 1992, ano do início das privatizações, a classe média brasileira (classe A/B no gráfico) teve uma enorme queda (e aumento na "classe C"), seguiu-se um período estável, onde o restante dos antigos empregados das estatais foram sendo dispensados paulatinamente, este período durou até 2000, a dispensa total de empregados qualificados e que ganhavam bem provocou nova grande queda na classe média, paralelamente a qualidade dos serviços decaiu muito o que fez as empresas privatizadas contratarem mais empregados através de empresas terceirizadas, o que, como mostra o gráfico, deu um grande crescimento a "classe C" a partir de 2003, que coincidiu com a enorme diminuição, quase extinção, da classe A/B.


A "classe C" surgiu no lugar da extinta classe média brasileira composta por trabalhadores das estatais.
Só que, a extinta classe média tinha realmente poder aquisitivo porque ganhava bem, a atual "classe C" não tem poder aquisitivo, mesmo sendo a maioria jovens solteiros, o salário não dá para sustentar os anseios de tais jovens, por exemplo para comprarem carro zero!
Porém, o governo incentivou o consumo dessas pessoas das mais diversas formas, a principal delas foi a retirada de parte do imposto IPI de produtos da "linha branca" e de veículos....
Mas... acontece que mesmo sem IPI, a conta tem que ser paga!
E precisa de dinheiro para pagar, dinheiro que a eufórica "classe C", conduzida ao endividamento pelo governo, não tem.

Mas, a "classe C" foi incentivada a comprar carro zero... ai fizeram uma dívida que não tinham condições de pagar...


É interessante que a propaganda politicamente correta da qual os socialistas são a parte integrante mais ativa - condena o consumo !

"Não devemos ser consumistas" dizem eles em suas pregações ideológicas contra a "sociedade burguesa"... mas, incentivaram o consumo de forma irresponsável de quem não podia consumir tanto.
O resultado dessa ação irresponsável dos "valorosos" "defensores dos pobres" é o que estamos vendo - a inadimplência de milhões de brasileiros.

Isto nada mais é do que o lugar comum do socialismo... o socialismo sempre leva a falência, os "intelectuais" socialistas deveriam ter aprendido a lição que a história deu a eles com a falência da URSS e demais nações socialistas no final do século XX ....
Os "intelectuais" socialistas, os radicais socialistas, deveriam ter aprendido a lição que a história deu - novamente a eles - com a falência da Grécia, da Espanha e de Portugal - por décadas governadas por socialistas - que para manter "os direitos" de forma artificial, sem terem o PIB necessário para terem as mercadorias que "tinham direito", se endividaram junto a bancos estrangeiros, e claro, por não terem competência para produzir, não tiveram dinheiro para pagar o que emprestaram ... e levaram a Europa a atual crise financeira.

Mas, socialistas jamais aprendem, não aprendem porque tem na cabeça a ideologia cega do "transformar o mundo", Freud explicou isso, é uma neurose, uma doença, vivem uma ilusão.
E o resultado, por mais que insistam, será sempre catastrófico, será sempre a falência social e econômica.


***

Nenhum comentário:

Postar um comentário